DESPERTAR COMUNICAÇÃO - A LIBERDADE para o seu negócio ao ser divulgado na imprensa
As maiores crenças do assessor de imprensa — e o que elas revelam sobre comunicação, poder e silêncio
O assessor de imprensa não trabalha apenas com fatos. Trabalha, sobretudo, com crenças. Algumas conscientes, outras herdadas da cultura jornalística, do mercado e da própria ansiedade de controlar a narrativa. Ao longo do tempo, essas crenças moldam decisões, estratégias e até frustrações. Entendê-las é um passo essencial para amadurecer a comunicação e torná-la mais ética, inteligente e eficaz.
Despertar Comunicação
1/18/20263 min read
1. “Saiu na mídia, deu certo”
Talvez a crença mais difundida. A ideia de que a simples publicação de uma matéria representa sucesso absoluto ainda domina muitas métricas de comunicação. Mas visibilidade não é sinônimo de relevância, e muito menos de impacto real.
Uma matéria publicada pode não gerar reputação, confiança ou conversão. Pode, inclusive, reforçar ruídos ou interpretações equivocadas. A pergunta mais madura não é “saiu?”, mas “o que ficou depois que saiu?”.
2. “O jornalista é o inimigo ou o salvador”
Há dois extremos igualmente limitantes: o assessor que vê o jornalista como ameaça constante e aquele que o idealiza como aliado incondicional. Ambos partem de uma crença emocional, não profissional.
O jornalista não é inimigo nem salvador. É um agente autônomo, com interesses, limites, linha editorial e pressões próprias. Quando o assessor entende isso, sai da lógica do controle e entra na lógica da relação — mais produtiva e mais honesta.
3. “Quanto mais releases, melhor”
Essa crença confunde quantidade com estratégia. O disparo excessivo de releases costuma ser uma tentativa inconsciente de compensar insegurança: se eu mandar muito, algo vai colar.
Na prática, acontece o oposto. O excesso banaliza a mensagem, desgasta a relação com as redações e reduz a percepção de valor do assessor e da marca. Comunicação madura é curadoria, não inundação.
4. “Toda crise é uma ameaça”
O assessor de imprensa é treinado para evitar crises, mas muitas vezes esquece que toda crise também é um campo de sentido em disputa. A crença de que crise é apenas dano leva à defesa automática, ao silêncio estratégico mal calibrado ou à negação.
Crises revelam valores, expõem incoerências e podem reposicionar marcas quando tratadas com lucidez, escuta e responsabilidade. Nem toda crise deve ser abafada; algumas precisam ser atravessadas.
5. “O cliente sempre sabe o que quer dizer”
Uma crença perigosa — e comum. O assessor assume que o cliente tem clareza sobre sua própria mensagem, quando muitas vezes ele está imerso em vieses, medos e contradições.
Parte do trabalho do assessor é traduzir, organizar e, em certos momentos, contrariar. Comunicação não é obediência; é mediação entre o que se quer dizer, o que faz sentido dizer e o que pode ser ouvido.
6. “Controle da narrativa é possível”
No mundo das redes, da hiperconectividade e da fragmentação da atenção, a ideia de controle absoluto da narrativa é mais uma fantasia do que uma estratégia. Ainda assim, muitos assessores operam como se fosse possível prever e conduzir todas as leituras.
O que existe, na prática, é influência parcial, construção de contexto e consistência ao longo do tempo. Reputação não se controla; se cultiva.
7. “Silêncio sempre é estratégia”
O silêncio pode ser inteligente — ou pode ser omissão travestida de estratégia. A crença de que não falar é sempre melhor do que falar revela medo do erro, não necessariamente sabedoria.
Em uma sociedade que interpreta o silêncio como posicionamento, calar também comunica. A maturidade está em saber quando o silêncio protege e quando ele aprofunda a crise.
8. “Assessoria é só mídia”
Reduzir a assessoria de imprensa à relação com veículos é uma crença ultrapassada. Hoje, o assessor lida com reputação, narrativa, cultura, redes sociais, stakeholders e opinião pública difusa.
Quem ainda opera apenas como “disparador de release” perde relevância. Quem entende a assessoria como inteligência de comunicação amplia seu campo de atuação e valor estratégico.
mais consciência, menos automatismo
As crenças do assessor de imprensa dizem menos sobre técnica e mais sobre postura diante do poder, do discurso e do outro. Questioná-las não enfraquece o profissional — ao contrário, o torna mais lúcido, estratégico e humano.
No fim, talvez a crença mais transformadora seja esta: comunicar não é controlar o mundo, é dialogar com ele. E diálogo exige escuta, risco e consciência.
